Larry Page coloca o Google em reforma

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Desde que assumiu novamente o comando do Google, o co-fundador Larry Page tem feito diversas mudanças como forma de incorporar um novo foco corporativo, principalmente voltadas a dar sustentação suficiente às prioridades crescentes que, para conseguir competir e responder aos concorrentes de forma mais rápida e ágil, a empresa vinha necessitando.

No entanto, para conseguir cumprir suas promessas e dar fôlego aos acionistas mais críticos, Page tem feito uma verdadeira reforma estratégica, redirecionando equipes para um trabalho ainda mais próximo dos projetos de núcleo – aqueles em que o sucesso está consolidado, mas onde há a necessidade de se inovar para não deixar a peteca cair, como Gmail, Chrome e Android.

Por outro lado, o Google, que sempre mostrou dinamismo para criar serviços experimentais e levar seus usuários para um verdadeiro centro de pesquisa e desenvolvimento a céu aberto, deu início a um estranho processo de fechamento e descontinuação de projetos, encerrando os mais de 50 experimentos do Google Labs, incluindo serviços como Powermeter, Directory, Google Health, além da clássica Toolbar para Firefox.

Outros produtos, como o Google Desktop, Piloto Automático, etc, ainda podem vir a ser encerrados para liberar os engenheiros às novas tarefas, principalmente no desenvolvimento do Google+, o projeto social que tem o desafio de transformar o Google em uma gigantesca rede social e estimular seus usuários a novas formas de colaboração, integração, comunicação e consumo de informação.

Todas essas mudanças, por mais drásticas que sejam para os usuários, principalmente àqueles que adoravam testar as criações de Mountain View, despertam uma nova fase da gigante das buscas, ajudando a otimizar os processos internos e evitando que equipes fiquem presas em tarefas sem grande futuro ou relevância.

No entanto, estas mudanças não indicam o fim das inovações, mas um direcionamento correto para a evolução dos serviços e produtos. Algo que, a longo prazo, demonstrará mais resultados relevantes do que apenas uma tentativa de descobrir o futuro. Com relação aos 20% de tempo livre dos funcionários, no qual projetos como o Orkut foram criados, nenhuma mudança foi feita e continuam sendo estimulados entre os funcionários.

Assim como em qualquer investimento, o Google assume grandes perdas neste momento para investir em forças-tarefas que levem a empresa para um futuro mais consolidado, além de melhorar em muito a sua velocidade interna. Com equipes mais livres, a empresa pode finalmente planejar com mais agilidade a evolução de produtos como Gmail, Google Docs, etc, e novos investimentos como Wallet, que trazem uma abordagem mais alinhada com visão da empresa para o futuro.

A falta de um foco mais prioritário mostra ter sido a principal causa que levou o Google a não investir em áreas corretas, deixando o mercado praticamente livre para que empresas como o Facebook pudessem tirar proveito das falhas e absorver milhares de usuários. Eric Schmidt, presidente executivo, confirmou este fato em uma entrevista recente na qual declarou que a falta de ações abriram espaço para o investimento dos concorrentes.

“Essencialmente, o que o Facebook fez foi descobrir uma forma de perceber quem é quem. Esse sistema está em falta na Internet como um todo. A Google deveria ter trabalhado nisso mais cedo”, afirmou Eric Schmidt. “A lição tem que ser apreendida em torno das novas tecnologias. Precisamos nos dirigir para este fenômeno muito rapidamente e levar em conta os pormenores. Pelo contrário, seremos deixados para trás.”

Para conseguir finalmente reagir no mercado das redes sociais e levar a empresa para um novo nível de participação, Larry Page agora tem a dura tarefa de impor novos rumos e estabelecer novas metas de desenvolvimento. No momento, o Google parece estar no caminho certo. O Google+, ainda com menos de um mês de existência, já conta com 20 milhões de visitantes, um recorde de crescimento quando comparado com os atuais concorrentes.

Além do Google+, Page ainda precisa definir planos para os Chromebooks, os notebooks com Chrome OS, que foram lançados há poucos meses e serão uma porta importante para que a gigante tenha informações mais valiosas e próximas dos consumidores. Há, também, o Google Music e o lucrativo universo das músicas digitais onde o Google ainda não conseguiu atingir um
ponto ideal para tirar rendimentos do setor.

“Fizemos um bom começo, mas estamos a apenas 1% do o que é possível. O Google está apenas começando e é por isso que estou aqui – trabalhando duro para levar a empresa para o próximo nível”, disse Page na última conferência para acionistas.

Se existe alguém que possa levar o Google para um desafio ainda maior, esta pessoa é o seu próprio criador: Larry Page.

 

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